Novo Aeon
Composição: Raul Seixas - Cláudio Roberto - Marcelo Motta
O sol da noite agora está nascendo
Alguma coisa está acontecendo
Não dá no rádio nem está
Nas bancas de jornais
Em cada dia ou qualquer lugar
Um larga a fábrica, outro sai do lar
E até as mulheres, ditas escravas,
Já não querem servir mais
Ao som da flauta
Da mãe serpente
No para-inferno
De Adão na gente
Dança o bebê
Uma dança bem diferente
O vento voa e varre as velhas ruas
Capim silvestre racha as pedras nuas
Encobre asfaltos que guardavam
Hitórias terríveis
Já não há mais culpado
nem inocente
Cada pessoa ou coisa é diferente
Já que assim, baseado em que
Você pune quem não é você?
Ao som da flauta
Da mão serpente
No para-inferno
De Adão na gente
Dança o bebê
Uma dança bem diferente
Querer o meu
Não é roubar o seu
Pois o que eu quero
É só função de eu
Sociedade alternativa
Sociedade novo aeon
É um sapato em cada pé
É direito de ser ateu
Ou de ter fé
Ter prato entupido de comida
Que você mais gosta
É ser carregado, ou carregar
Gente nas costas
Direito de ter riso e de prazer
E até direito de deixar
Jesus Sofrer
=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=
Não serei mais assinante do Uol, portanto esse blog será fechado e eu criarei outro com um novo endereço. :)
1000 Perdões
Estou sem pc no Rio. Anyway, o curso de arquitetura têm se mostrado mais desgastante do que eu esperava e não tenho tido tempo nem inspiração para postar da faculdade. Peço, então, desculpas por estar distante do mundo dos blogs, orkut, msn e cia.
Câmbio e desligo. :)
Numa noite dessa semana
Estava eu no computador de madrugada quando olho para o lado e deparo-me com uma chuva de estrelas. Chuva mesmo, estrelas cadentes de lado a lado do horizonte, vindo de todas as direções. A minha impressão foi de que naquele ritmo logo não haveria mais estrelas no céu.
Desci correndo ao segundo andar, peguei a câmera digital e voltei para documentar o fenômeno. Fiquei ali, de pé, durante cerca de cinco minutos assistindo ao espetáculo vidrado.
Em certo momento, uma intensa luz invadiu a janela pelo lado esquerdo, ofuscando minha visão. Tudo foi muito rápido a partir daí: em uma fração de segundos eu sinto a onda de calor me atravessar e o cheiro da carne assando, meus olhos nada mais vêem senão o vulto desfocado do meu próprio rosto em meio ao clarão. Não houve barulho em momento algum. Pelo contrário: o mundo, pela primeira vez, estava inerte no mais absoluto silêncio.
Ainda que tenha durado menos de um segundo, consegui raciocinar e emocionar-me, pois o tempo onírico é diferente do tempo desperto. Percebo a minha consciência esvaindo-se e choro por dentro ao compreender que não há nada depois da morte, que eu desapareceria ali. Alguém estava nos castigando e aquilo não eram estrelas, eram bombas.
Após a descoberta eu vivi o momento mais triste da minha existência, naqueles centésimos de segundo antes de se apagar a minha mente envolveu-se em profunda melancolia, quase engessada em meio à dor. Foi o tempo necessário para que as minhas lágrimas transpossem o sonho e chegassem ao mundo real.
- Joãozinho, eu queria um exemplo de um animal que não tem coração.
- Ah... caramujo, professora!
Quem disse que caramujo não tem coração?
Nostalgia
- Você promete que vamos continuar sendo amigos para sempre?
- Aham.
- Mas é de coração, né?
- É.
Essa conversa aconteceu há dois anos e até uns dias atrás ela fingia que não me conhecia. Não posso criticá-la, até porque fazia o mesmo. Espero que algo tenha mudado.
Não seria muito mais fácil se as pessoas simplesmente dissessem o que sentem? Se simplesmente chegassem e falassem "eu me importo com você". Seria realmente muito mais fácil, mas o orgulho nos impede. E não adianta falar que não age assim, todos agimos.
É como quando estamos na rua e percebemos um conhecido vindo na mesma direção, o observamos com o canto dos olhos e pensamos “se ele me cumprimentar eu sorrio”. Ao final, ambos se ignoram e passam a julgar o outro como metido ou mal-educado. Enquanto os dois, na verdade, agiram da mesma maneira.
É verdade que na maioria dos casos não se trata de orgulho, mas da pura e inocente vergonha. No entanto, isso não pode ser dito quando se tratam de duas pessoas que já foram íntimas e hoje se ignoram.
Eu tinha uma amiga que costumava repetir “amizade não se dá, se conquista”. Pensamento mesquinho, se todos compartilhassem dessa idéia viveríamos isolados.
Temos que manter intactas as nossas máscaras de porcelana para morrer ostentando um sorriso infeliz.
Reflexão
- Victor Pimenta
Todos sempre vem e dizem
“Você tem que ser feliz!”
Sou eu obrigado a isso
Por juramento que não fiz?
A minha vida lhes pertence,
Pra dizerem como eu ser?
Se dela quero a desgraça
Desgraça dela hei de fazer!
E então eu lhes pergunto
“O que é ser feliz?”
Se é fazer o que se quer
Eu sou pois desgraça fiz!
O fim justifica os meios
E o meu fim é morrer
Então por que me preocupar
Se feliz vou ou não ser?
* Victor Pimenta é Utopia, Vodka, Poesia e outros amores. [
http://www.macae.zip.net ]
Segunda-feira
Cheguei em casa à noite e encontrei o meu irmão caçula diante de um pote de sorvete de chocolate sofrendo para tirar uma porção com a colher, que a cada golpe entortava mais.
Eu, cumprindo o meu papel de irmão mais velho, prontamente me dispus a ajudá-lo, – até porque já tive 11 anos e sofri tentando quebrar sorvetes estocados no freezer – apanhei o pote e ferozmente golpeei o seu conteúdo. No entanto, o sorvete permaneceu intacto.
“Vamos colocar uns segundos no microondas para ver se derrete.” Afirmei, tentando manter inabalável a minha moral de irmão mais velho.
Decidi fazer uma experiência inicial de cinco segundos, mas nada mudou, os pedaços de gelo sequer derreteram. Deixei, então, por trinta segundos, nada. Mais trinta, nada. Um minuto, nada. Só mais outro minutinho...
Por incrível que pareça o sorvete permaneceu o mesmo, mais sólido do que diamante. Nem toda a minha força era capaz de tirar uma lasca de chocolate daquele pote. Não há hipérboles nesse parágrafo.
Decidi, então, deixar mais dois minutos no microondas.
“Se o pote derreter ou der alguma merda a gente limpa e diz pra mamãe que comeu tudo”. Sugeriu o meu irmão. (Era aquele pote de 2 litros e seu conteúdo estava intocado)
Transcorridos os dois minutos abri o microondas já esboçando o sorriso da vitória quando comecei a dar as primeiras estocadas e constatei que a solidez permanecia. Estava quase em frenesi quando o golpeei com toda a força e algumas minúsculas lascas se soltaram. O meu irmão, impaciente, pegou-as com a ponta dos dedos e lambeu.
Fez um cara de nojo.
“Cara, isso daqui é feijão!”
Renascendo das Cinzas
Como vocês perceberam, este blog passou por um longo período de greve. Isso mesmo: Greve.
Parei de escrever como forma de protesto frente ao caos político que se instaurou no país. Contra a parcialidade dos nossos meios de comunicação, relatando denúncias com ares de sentença final. O blog está de luto devido ao golpe que a direita tenta articular contra o governo Lula.
Luto, também, devido à exploração da Amazônia. À morte diária de homens, animais, árvores e freiras. Nossa maior riqueza nunca foi tão saqueada, dilapidada tão ferozmente pelos inimigos da pátria. Hoje, mais do que nunca, assistimos ao nosso patrimônio ser levado por caminhões, balsas, maletas e cuecas.
Foi uma greve contra a presença americana no Iraque e contra os Iraquianos em Londres. Contra as bombas e os fuzis, mísseis e granadas. Greve contra a tirania do oriente médio e a hipocrisia ocidental. Contra o fundamentalismo de ambos: alguns por Alá, outros por dinheiro.
Também um lamento pelos meninos da África e pandas da China.
Foi uma greve, claro, contra a violência na Cidade Maravilhosa. Contra as invasões da Rocinha e a estupidez da Rosinha. Contra a morte dos inocentes e a impunidade dos culpados. Um protesto ao poder paralelo e a posição do estado. O meu silêncio foi um grito às coberturas do Dona Marta e da Vieira Souto.
Mentira, eu só estava com preguiça de postar.
Indiferença
Não mais lamento por teu amor,
Nunca tive uma lágrima em tua face.
Não espero como outrora o teu carinho,
Pois este nunca veio de ti.
Não sinto a falta dos teus beijos,
Pois sempre soube, eram falsos.
Assim como o teu calor,
Que veio sempre desprovido de afeto.
Sei que hoje não vens me visitar.
Nunca apareceste aqui antes...
Nem sequer sabes onde eu moro.
Não espero mais a tua ligação.
Me lembrei que não tens o meu número.
Nunca me pediste, nunca me pediste nada.
(Para a minha infelicidade)
Não conto mais com a tua presença junto à mim.
Afinal, nunca a tive e nunca a terei.
Não anseio mais por conversar contigo,
Nunca me deste importância mesmo.
Aliás, nunca me deste nada,
Apenas o que te pedi com palavras.
E atenção não se pede com palavras,
Se pede com um olhar.
Não espero nem sequer que sorrias ao me ver,
Nunca sorriste de verdade.
Apenas contraiu os músculos e expôs os dentes,
Em uma fracassada tentativa de forjar um sentimento.
Sorriu como sorri para um dentista,
Ou para um estranho, tentando parecer agradável.
Não imagino que me cumprimente ao passar por mim,
Não nos conhecemos o suficiente para isso.
Não desejo mais o teu pensamento.
Não quero mais existir para ti.
Se estes versos fossem verdadeiros,
Não haveria escrito o poema.
Poesia pré-histórica (13/01/03), eu achava o máximo usar a segunda pessoa do singular.
Dedicada a Bianca. (dedicada e não escrita para ^_^)
Bad, Bad Trip
Tenho a nítida impressão de estar sendo perseguido... Sim, tem alguém atrás de mim. A sombra me acompanha há 7 quarteirões. Desaparece entre um poste e outro, fico aflito. Passo por mais um poste e logo a sombra está lá. Não vou virar-me, pode ser um assalto. Pior, podem estar atrás de mim por causa de sexta-feira. Com essa gente não se brinca.
Entro num boteco e vou direto ao balcão. Peço qualquer coisa e respiro aliviado.
Entra um homem de jaqueta. Era ele no meu encalço, tenho certeza. Ele senta numa mesa, mas não chama o garçom. Finge que não me observa olhando na outra direção, o velho truque do espelho.
Há um volume sob suas vestes, pode ser uma arma. É uma arma. Ele acende um cigarro. Clássico.
Ambiente pesado: A luz indireta disfarça a gordura e o sangue nas paredes. O cheiro do banheiro mesclado com a fumaça dos cigarros me atordoa. Fica no pé do morro, terra de ninguém. Há uma arma atrás do balcão, dá pra ver daqui. Ao lado do caixa. Qualquer coisa eu consigo alcança-la num pulo.
A Vodka barata desce rasgando, peço outra.
Entra uma moça, não muito tempo depois. Talvez fosse ela na minha cola. É cada vez mais comum mulher no crime. Seria óbvio demais se fosse o homem de jaqueta. Ou talvez trabalhem juntos.
Ela me encara e sorri. Ela sabe que eu sei.
Levanto-me e corro. Aproveito a porta aberta e atravesso a rua sem rumo traçado.
- Ei, malandro! Volta aqui! Pega ladrão!
Não me viro.
Click
Merda, esqueci de pagar a conta.
BOOM!
Fogo
- Thiago S. Marano
Eu estava de pára-quedas aberto desde que nasci. E agora? Entre quatro paredes. Para quem estou mostrando essa nudez desproibida de mim mesmo? Os m’s são aranhas. Quem é que está aí que eu achei que estava? Ninguém. Eu aprendo o mundo sem querer sê-lo. Aqui uma vírgula, para a ingenuidade poética de se brincar com o próprio código que não digo escrita para demonstrar sinais campestres de se ser. E essa tal preocupação é meu novo motivo como quem já cheio enche o copo. O odor melancólico é esse da harmonia do ar com as paredes que deságuam no chão sua cachueireza desambulante. Escrevo como um alienígena, isto é ingenuidade. Tudo que é por ingenuidade não o é. Ingenuidade não pode ser e assim não é o não ser. Pode cair no risco de ser apenas uma convenção: convenções são fatais demais.
Meu vinho é de um roxo mais preto, é de um vinho de Clarice. Apegado que sou confundo com atrapalhado, pois assim deveria de ser que eu era atrapalhado antes de apegado e confundi-me, inserindo um terceiro elemento, “confundi-me”, numa tentativa de novo ingênua de reafirmar uma realidade. A pobreza maior é achar que realidade é sempre A realidade. Eu poderia jurar que havia alguém aqui para não apunhalar-me. Medo. Eu sou parte de quê? Partes de mim mesmo. Quero me ser só, mas antes uno – o que só será possível quando a terra parar de girar. Por que a terra parou de girar? Foi uma revolução do tempo: eu sou uma pequena parte da construção “neurológica”, de proporções absurdas, da consciência do tempo. Como prever que não voltariam mais? Apagou-se.
* Marano é uma metamorfose ambulante que eu tento conhecer há 10 anos. [
http://thiagomarano.blogspot.com ]
Quidam
- João L. C. Sayd
É um grande prazer conhecê-lo,
Minto, prazer eu não sinto.
Aflito, se não concordo não aceito.
Grito. E a boca me rasga o rosto.
Calo. E o grito me rasga o peito.
Não falo por mim, eu sou meu oposto:
Eu sou o Pedro, a Maria, o José, o João.
Tenho graça comum de sentido qualquer.
Tenho nome de rei e nome de peão.
Eu quero viver, mas a morte me quer.
Eu sou a dor, a poesia, a apatia, a paixão.
Pois metade de mim é amor,
Mas a outra metade não.
Ciumento, teimoso ou até persistente.
O que tenho em mente não é o que digo.
O meu coração não sabe o que sente.
Estão lado-a-lado meus sonhos e medos.
Sou frio, distante e por vezes ausente.
Não sou confiável, dispenso segredos.
Às vezes covarde, às vezes valente.
Escute o que digo: Às vezes, nem sempre.
Sou a voz de veludo e o lírio da paz.
O grito de guerra e o olhar de frieza.
Escravo de tudo o que me satisfaz.
Sou o medo da chuva, Maluco Beleza.
A sina incessante e o desejo voraz.
Sou a rude certeza da morte serena.
Somos diferentes, mas somos iguais.
Porém nem tudo pra mim vale a pena,
Mesmo minh’alma não sendo pequena.
Se queres de mim fazer algum uso.
Dê-me atenção, e assim me terás.
Sou detalhista, implicante e confuso.
Artista, talvez. Poeta jamais.
Esperto não sou, mas sei me expressar.
Basta-me um sonho para prosseguir.
Fazer eu não sei, mas posso ensinar.
“Eu sou um pedaço de tudo o que li.”
Também sou sofista, venha discutir.
Sou o ponto final e o pingo do i.
O maior problema do nosso namoro é que o meu celular é Vivo, o dela é Claro.
Lembrança
Certa vez eu voltava de algum lugar com o meu pai numa noite de domingo e passávamos pelo centro quando ele encostou o carro e sussurrou “Ah lá! Olha ali atrás!” Quando olhei havia um homem revirando um latão de lixo na saída de uma galeria. Nunca teria notado se a rua não estivesse deserta e tudo fechado. Aliás, não vi nada demais naquilo. Respondi algum clichê do tipo “que tristeza”.
Ele falou das roupas e eu percebi então que o sujeito vestia-se com uma camisa social, calça jeans e sapato. “Ele é engenheiro da Petrobrás, é locão.”
Regurgito
- João L. C. Sayd
Adoro-te com minha mente perversa,
Idealizando você às avessas.
Adoro-te como a mim mesmo,
Mesmo sabendo que não a mereça.
Por favor, não me olhe assim,
Não mereço a sua atenção.
E não tenha nojo de mim,
Dispenso teu julgamento.
Te mato e como no chão.
Regurgito seu sofrimento.
Te rasgo sobre o cimento,
Devoro seu coração,
Lambo o estômago por dentro,
Sua última refeição.
E por último momento,
Como antes havia dito,
Dispenso teu julgamento.
Mato, como e regurgito.
|
|
|
|
|
|